O Poeteiro

Domingo

Quem sou? Se um forte a sustentar o mundo Se um fraco a aguentar calado Se um divino a arrebatar estranhos Se um humano a simular naufrágio Sou quase estrangeiro em meu ninho Sou quase limite em desaforo Se caio, reponho-me em resistência Nos pés em areia me desfaço em perdição Se sofro, alieno-me em histórias As mesmas que me perdem em solidão Quem sou? Se não a compostura lírica do homem Se não o sal da terra do divino O ostracismo convicto do descaso O progressismo racional do que vejo Não sou o perfeito O revelado martírio sublinha o heroísmo O consternado afago rejeita o abraço Não sou o descarte O fino traço vai ao ponto de fuga O andar eterno dissimula em círculos Quem sou? À beira do abismo, alcanço os sonhos em voo À beira mar, descubro a pele do engodo No alto da colina se tem uma rima No chão que piso há a ponta da caneta E a centelha que imagino límpida Acende a fogueira que me deixa em brasa E me arrasa, e me maltrata, e me arde E me transforma em exagero E me leva além do que desejo Na distopia, no cárcere e no devaneio

O Poeteiro

Reflexos Tardios

Reflexos tardios Movimentos repetitivos Nada se cria, em mitos No imprevisto, tudo se transforma E no fim do dia Quando a tempestade limpa a cidade Destacando o brilho Onde antes era impureza Realçando a bondade Em casa gesto de avareza Os homens saem às ruas de cara lavada Prontos para usarem novos colírios De velhas fuligens Retardos críveis Movimentos sombrios Nada na vida são ventos Tudo na vida são novos moinhos E os homens se mostram eventos de pura sorte Fazendo o pó em farinha De novas almas famintas Pois o hoje é o dia De outras noites mal dormidas O vago do lado alto da rua Não mais assusta Ainda é cedo quando se madruga E o vinho seco que desce à goela Ainda é a fome que amarela Tão nobre de fina lembrança Tão pobre em vero semelhança Aí se faz Aqui se paga E o gosto ácido de um dia amargo Contrasta em tanto Com a doce mentira da esperança

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Abstraia-se

  A cidade te cerca, te aprisiona,  Limita tua vista, tua lida, o que acredita A cidade te ilumina,  Em meio a tantas cores, dores e amores Você se esvai no ar ou paga pelo seu inconformismo E quase sempre sozinho se revela bem mais que isso Você é os seus fantasmas, suas vozes ocultas Sua mística em tentar ser humano Nessa selva de pedra Desconstrução Cacos de Vida Descolorização Pontos Turvos Ex-cada Poeira Low Cura Olhar entre grades Sem ideias Colombo

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Água & Pasto

Chegue mais perto Se aproxima enquanto a palavra se apodera da rima Não se estranhe, não é deslize Seja o insisto um verbo calado ou outra via de algo não conjugado Seja meus olhos a te percorrer com receio da solidão recente Enquanto ainda pensava no sabor delicado de seu lábio ardente Hamburguer Artesanal com Queijo de Coalho Limonada Suíça Bananas Caipiroska Jantar Ateliê a Essência da Doçura – Chocolate gourmet Ateliê a Essência da Doçura – Chocolate gourmet Ateliê a Essência da Doçura – Páscoa Ateliê a Essência da Doçura – Páscoa gourmet Ateliê a Essência da Doçura – Sobremesa

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Cidades

Ainda posso me espreguiçar na sombra Fazer alvoroço com qualquer coisa. A prisão me faz um ser banido, portanto, restrito. A liberdade é um sonho tolo Que me dá responsabilidade maior Do que a vida que estou regrado. Afinal, tanto árduo trabalho merece uma esmola bem dada Tatuapé – SP Arranha-céu Tatuí – SP Jundiaí – SP Jundiaí – SP Estação Paraíso – SP Andar na linha Jundiaí – SP Formigas Horizontes

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Solitude

Não posso ser um viajante mudo, Extraído das sombras como um espinho de suas rosas, Não posso ser um passado renascido, Exposto agora pela lembrança e o quê aflora, Não sou apenas carne, Vagando pelo tempo renomeado saudade, Nem espírito, alma solta ao acaso, Sem pena em qualquer penalidade, Avise ao arbítrio que livre já é sua liberdade Mão única Viagem Saúde À cerca À sombra Mãos vazias Bucólico Jogos capazes Reunião Diário