Confesso: Carmen

Luciano Bueno Duran

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Confessionário
Carmen 04

Confesso: já tive uma paixão platônica por Carmen. Pois, uma mulher à frente do seu tempo e à frente das interpretações mundanas sem o advento do divino. Simultaneamente, está à frente da óptica absolutista que coloca quem pensa à mercê do poder. Toda mulher deveria se concentrar em sua forma de pensar, e por assim, já estaria livre de qualquer jugo ou joguetes.

Carmen 02

Carmen é mais pura forma de instinto, racional sem se fixar, presa em seu buscar, autossuficiente e em harmonia com seu livre querer. Contudo, impossível tentar um controle, não há acesso para qualquer um, as chaves de sua armada biografia encontra-se em seu coração. Doravante, vale a pena se dedicar a conquista com compreensão, afinal, sua força está em ser parceira em sinergia. Por isso, és mitológica e não lhe recai algum complexo de Édipo, embora possa entender humanamente a mulher que me faz um homem melhor. Todavia, a mitologia está na liberdade de seu prazer, na ilusão que seu olhar produz em se ver em sua íris. Assim, passa-se a acreditar na posse, antes da conquista, um verdadeiro crime contra ela. Ademais, não só é contraproducente, como o maior engano digno de um canto de sereia.

Carmen 03

Quem dera esse texto fosse uma mera retórica, uma verdade revelada em teoria, ratificada pela beleza de tantas Carmen's raras sob o mesmo papel liberto. Porém, não pode, visto ser esse composta por meras palavras dedicadas a apenas uma Carmen, que se transforma dia a dia em árias. Dessa forma, aproveita o contorno complexo disposto em 12 notas e o infinito na repetição da oitava e que me faz maravilhar. Por fim, sou eu em seus sons, escalas e harmonia, obrigando-me a confessar para em seu nobre colo descansar.

 

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